Coluna Claquete – 26 de fevereiro de 2010
Newton Ramalho – colunaclaquete@gmail.com – colunaclaquete.blogspot.com
O que está em cartaz
Com o retorno das aulas, a programação dos cinemas toma um caráter mais diversificado, embora predominem os romances. As estréias da semana as comédias românticas “Simplesmente Complicado”, com Meryl Streep e “O Amor Pede Passagem”, com Jennifer Aniston. Novidade, também, é o relançamento da animação “Toy Story”, na versão 3D. Continuam em cartaz o belo drama “Um Olhar do Paraíso”, com Saoirse Ronan e Stanley Tucci (vejam na sessão Filme da Semana), o romance “Idas e Vindas do Amor”, com um elenco estelar, “O Lobisomem”, com Benicio Del Toro, a aventura “Percy Jackson – O Ladrão de Raios”, o musical “High School Musical – O Desafio” e o infantil “Alvin e os Esquilos 2”. Nas programações exclusivas, o Cinemark exibe “Quanto Dura o Amor?”, na Sessão Cult, “Sherlock Holmes”, “O Fada dos Dentes” e a ficção-científica “Avatar”, enquanto o Moviecom mantém o thriller “O Fim da Escuridão”, e o terror “Premonição 4”.
Estreia 1: “Simplesmente Complicado”
Jane (Meryl Streep) é mãe de três filhos e mantém uma relação amigável com Jake (Alec Baldwin), seu ex-marido, de quem se separou há dez anos. Quando eles se encontram para a formatura de um dos filhos, fora da cidade, surge um clima e eles passam a ter um caso. Só que Jake é agora casado com Agness (Lake Bell), o que faz com que Jane torne-se sua amante. Paralelamente, Adam (Steve Martin) entra na vida de Jane. Ele é um arquiteto contratado para remodelar a cozinha do restaurante de Jane e, aos poucos, se apaixona por ela. A direção é de Nancy Meyers. “Simplesmente Complicado” estreia nesta sexta-feira, na Sala 6 do Moviecom, e, na Sala 2 do Cinemark. Classificação indicativa 12 anos.
Estreia 2: “Toy Story – 3D”
O aniversário de Andy está chegando e os brinquedos estão nervosos. Afinal de contas, será que um deles será esquecido por alguma nova maravilha da tecnologia? Este o dilema central de “Toy Story”, que nos apresenta a história de como Woody, um caubói do faroeste, e Buzz Lightyear, um astronauta do espaço, se conhecem e disputam a preferência de Andy. Primeiro filme realizado através da parceria entre a Walt Disney Pictures e a Pixar Animation Studios, “Toy Story” surpreendeu o mundo por ser, também, o primeiro filme de animação inteiramente computadorizada, lançado em 1995, e que agora ganha uma versão em 3D. “Toy Story – 3D” estreia nesta sexta-feira, na Sala 6 do Cinemark. Classificação indicativa livre. Cópia dublada.
Mike (Steve Zahn) mora e trabalha em um hotel de beira de estrada, em uma cidade do interior do Arizona. A executiva Sue Claussen (Jennifer Aniston) se hospeda no hotel para descansar entre uma viagem e outra de negócios. Sue é obcecada pela idéia de um mundo melhor. Seu ex-namorado, Jango (Woody Harrelson), oferece à ela a chance de ser diretora de suas empresas podendo destinar o quanto quiser para caridade. Enquanto isso, lá no Arizona, Mike descobre que se ele quer alguma coisa vai depender apenas dele, e embarca numa louca e libertadora viagem para conquistar seu amor. A direção é de Stephen Belber. “O Amor Pede Passagem” estreia nesta sexta-feira, na Sala 3 do Moviecom. Classificação indicativa 12 anos.
Marina (Sílvia Lourenço) é uma jovem atriz do interior, que vai tentar a sorte na cidade grande. Em São Paulo, ela divide um apartamento com Suzana (Maria Clara Spinelli), uma advogada solitária e misteriosa, e no mesmo prédio ela conhece Jay (Fábio Herford), um escritor em busca de um sentido para a vida. Coincidentemente, enquanto Marina fica encantada pela cantora Justine (Danni Carlos), Suzana engata um romance com um amigo do trabalho e Jay declara suas verdadeiras intenções para a prostituta Michelle (Leilah Moreno), dando um início a um período de revelações e descobertas para os três. A direção é de Roberto Moreira. A partir desta sexta-feira, na Sala 4 do Cinemark, na sessão de 14h. Classificação indicativa 16 anos.
Confira na TV
“Premonição 2”, no SBT
“Um Tira Acima da Média”, na Globo
“Alexandre, o Grande”, no SBT
“Academia do Prazer”, na Band
Os donos de uma academia à beira da falência usam um aparelho que estimula a libido para salvar o seu negócio. Sábado, às 2h.
“O Exorcismo de Emily Rose”, na Globo
“Falando Pra Cachorro”, na Record
Um garoto conta com a ajuda de um fiel cachorro para encontrar uma fortuna que está escondida. Tudo isso antes que uma vilã o faça. Com Billy Connolly. Domingo, às 11h15.
“Taxi”, na Globo
“No Embalo do Amor”, na Band
Quando seu marido sofre um acidente e “bate as botas”, Raynelle Slocumb reúne todo o clã para lembrar o tão estimado membro. A coisa se complica quando a desvairada família Slocumb se reúne sob o mesmo teto. Domingo, às 21h30.
“Segurança Nacional”, na Globo
“Pisando na Bola”, na Band
Clyde (Gerard Butler) é um dedicado pai de família que testemunha sua esposa e filha serem assassinadas. Um dos culpados ganha liberdade graças a um acordo feito com o ambicioso promotor Nick (Jamie Foxx). Anos depois o assassino é encontrado morto e Clyde é preso, mas, continuam ocorrendo mortes de pessoas relacionadas com o caso. O disco traz o filme com formato de tela widescreen e áudio em Dolby Digital 5.1.
Na expectativa de ser transformado em herói e promovido, o executivo Mark Whitacre (Matt Damon) delata ao FBI um esquema de formação de cartel na empresa onde trabalha, e torna-se então um informante do governo. O problema é que seus relatos estão sempre mudando, enlouquecendo o FBI. O disco traz o filme com formato de tela widescreen e áudio em Dolby Digital 5.1, e, como extras, Cenas Inéditas, Você Não Precisa Narrar Fitas, Soprador de Folhas Noturno, Mark Faz Pedidos Estranhos para o FBI e Mark é Escoltado para Fora do Escritório.
Aborrecida com sua vida suburbana, Shirley resolve arriscar uma aventura, quando uma amiga a convida para umas férias na Grécia. Em pouco tempo, ela retorna às suas rebeldes origens adolescentes e diz sim a uma aventura romântica com um bonitão e à vida que sempre quis. Adaptação de peça teatral apresentada em Londres e na Broadway americana, a comédia inglesa conquistou o público com seus diálogos espirituosos e belas locações na Grécia. O disco traz o filme com formato de tela widescreen e áudio em Dolby Digital 5.1.
Prestes a encarar uma nova expedição, Marshall (Will Ferrell) é sugado por um forte redemoinho que o leva para um lugar estranho, há muitos anos de distância. Agora, o cientista está desarmado, sem suas ferramentas de trabalho e bastante receoso, afinal ele precisará arranjar formas de sobreviver neste universo alternativo repleto de dinossauros e fantásticas criaturas. O disco traz o filme com formato de tela widescreen e áudio em Dolby Digital 5.1.
Filme da Semana: “Um Olhar do Paraíso”
Quando li, pela primeira vez, a sinopse de “Um Olhar do Paraíso”, imaginei que este filme seria uma versão adolescente do choroso “Ghost – Do Outro Lado da Vida”, onde o personagem de Patrick Swayze ficava rondando pela terra até resolver o mistério do seu próprio assassinato. Felizmente, o filme atual traz uma visão diametralmente oposta.
O filme é baseado no livro “Uma Vida Interrompida – Memórias de um Anjo Assassinado”, de Alice Sebold. O título original é “The Lovely Bones”, o mesmo que foi dado ao filme em inglês. A autora baseou-se em dolorosa experiência própria, pois ela sofreu um estupro quando iniciava a universidade, aos 19 anos.
Na história, a heroína é Susan Salmon (Saoirse Ronan), uma garota de apenas 14 anos, que sonhava ser fotógrafa e vivia os primeiros momentos de um delicado romance juvenil. Seus sonhos são bruscamente interrompidos quando um vizinho, George Harvey (Stanley Tucci) a ilude com subterfúgios, leva-a a uma armadilha, violenta e mata a menina.
A partir daí, a vida de toda a família desmorona, afetada pela tragédia. O pai, Jack (Mark Wahlberg), culpa-se por não ter protegido a filha, e divide-se entre um isolamento amargo e uma busca alucinante pelo assassino. Abigail (Rachel Weisz), a mãe, não aceita a morte da filha, e também se isola da família, a ponto de abandoná-los, sem explicação.
A filha do meio, Lindsey (Rose McIver), é uma garota brilhante, tanto na inteligência quanto nos esportes, e sente-se culpada por seus êxitos, enquanto a irmã foi tolhida de tudo. O caçula da família, Buckley (Christian Thomas Ashdale), pergunta quando a irmã voltará, pois sabe que ela ainda está ali. “Está no meio”, diz ele para a avó Lynn (Susan Sarandon), que administra a família como pode, entre um cigarro e um copo de uísque.
O assassino, por sua vez, sente-se cada vez mais tranqüilo. Este foi mais um de uma série de crimes contra crianças e jovens, todas mulheres, sempre realizados com precisão e extremo planejamento. George é frio a ponto de conversar com a polícia e com Jack sem despertar suspeitas.
Enquanto isso, Susan vive em um mundo à parte, que muda conforme mudam os seus sentimentos e emoções. Ela sofre com o desespero do pai e ausência da mãe, e nutre uma certa inveja pela irmã, que consegue o primeiro beijo que ela tanto sonhara. Mas, o que não consegue aceitar mesmo é a impunidade de George.
Neste mundo surpreendente, onde os sonhos e as memórias da menina tomam forma de um jeito surpreendente, beirando o psicodelismo, Susan encontra uma companheira, uma chinesinha chamada Holly (Nikki SooHoo), que tenta convencê-la a desligar-se do mundo dos vivos e ir “lá para cima”. Susan, porém, se entristece pelos vivos, e procura acompanhar seus passos, e até mesmo interferir nos seus destinos.
Susan angustia-se com a possibilidade de que o assassino faça novas vítimas, entre elas, sua irmã Lindsey, sobre quem George já está de olho. Entre o desejo de justiça e de vingança, ela testemunha o pai ser vítima da própria ira, e, aos poucos, vai percebendo que não cabe a ela o poder e o dever de punir o assassino.
Um enredo fora do comum como esse merecia um diretor também fora do comum, que é o caso de Peter Jackson, que tem um currículo para lá de variado, onde estão tanto o horror trash “Fome Animal”, o drama “Almas Gêmeas”, a poderosa trilogia “Senhor dos Anéis”, e a refilmagem de “King Kong”. Jackson apresenta um tema delicado fugindo do sensacionalismo, ao tratar fugazmente da cena da morte da personagem (que no livro é narrado detalhadamente), evita a pieguice ao mostrar a relação entre os personagens, e utiliza os efeitos especiais como um complemento às emoções que se desenvolvem na tela.
Com um elenco de notáveis no apoio, como Susan Sarandon, Mark Wahlberg e Rachel Weisz, o filme é construído, principalmente, por Stanley Tucci, que faz um personagem totalmente diverso dos que costuma viver, e a garotinha Saoirce (a palavra irlandesa, que significa liberdade, pronuncia-se de duas formas: “sir-sha” ou “sur-shuh”, como prefere a jovem atriz). A menina surpreendeu o mundo ao receber sua primeira indicação ao Oscar de atriz coadjuvante com apenas 13 anos de idade, pela participação em “Desejo e Reparação”.
Embora assuma temas comumente discutidos pelos espíritas e budistas, o filme não cai na armadilha da doutrinação ou qualquer aspecto que possa ferir qualquer outra corrente religiosa. A mensagem que fica é de que o ódio aprisiona, enquanto que o amor liberta. Esse conceito, tão óbvio, infelizmente, é tão esquecido em nossos dias, pelos vivos, mesmo. Quem sabe esse filme não ajuda a mudar um pouco isso?

